Os Riscos Ocultos da Inteligência Artificial no Ambiente Corporativo

Nos últimos dois anos, ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a fazer parte da rotina de trabalho em praticamente todas as áreas de uma empresa. Entenda os riscos.

Por Ricardo Costa, ChiefAI Security Officer da Vitara

Nos últimos dois anos, ferramentas de inteligência artificial generativa passaram a fazer parte da rotina de trabalho em praticamente todas as áreas de uma empresa. Times de marketing usam IA para gerar textos e imagens, equipes de desenvolvimento aceleram código com assistentes inteligentes e departamentos financeiros recorrem a modelos de linguagem para analisar planilhas e relatórios. Boa parte desse uso acontece fora do radar da área de segurança, oque caracteriza o fenômeno conhecido como Shadow AI.

Shadow AI é o uso de ferramentas de inteligência artificial semaprovação, monitoramento ou controle formal da empresa. Diferente do shadow ITtradicional, ligado a softwares não homologados, a Shadow AI carrega um riscoadicional: cada prompt enviado a uma ferramenta pública pode conter dadossensíveis que saem definitivamente do perímetro corporativo.

O colaborador que usa essas ferramentas raramente tem intenção deprejudicar a empresa. Ele busca ganhar tempo, resolver um problema mais rápidoou entregar um resultado melhor. O risco nasce da combinação entre essa boaintenção e a ausência de capacitação, políticas claras e controles técnicos.Sem esses três pilares, informações como dados de clientes, códigos-fonte,relatórios financeiros e contratos acabam copiadas para interfaces de IA que aempresa não escolheu nem auditou.

Os riscos que ficam fora da vista dadiretoria

Os impactos de um vazamento por Shadow AI ultrapassam o incidentepontual. Entre os riscos mais críticos estão a fuga de propriedade intelectual,violações da LGPD, descumprimento de normas de conformidade exigidas por órgãosreguladores e auditorias externas, questões trabalhistas ligadas ao usoindevido de dados de colaboradores e a contaminação da base de dadoscorporativa com informações geradas por IA sem validação humana.

A escala do problema é maior do que a maioria das empresas imagina.Segundo o State of Data Security Report da Varonis, 99% das organizaçõesanalisadas possuem dados sensíveis expostos a ferramentas de IA e copilotos deforma perigosa. O número mostra que o risco não está restrito a empresas commaturidade baixa em segurança, está presente na maioria absoluta das operações,independentemente do porte ou do setor.

Três perguntas que toda diretoriadeveria responder

Como sua diretoria pode gerenciar o risco de ferramentas que ela sequersabe que estão sendo utilizadas na rede?

Se os seus dados internos possuem permissões excessivas, você temconsciência de que a IA pode expor relatórios confidenciais para colaboradoresnão autorizados?

Se a ANPD auditar hoje os prompts que seus colaboradores enviam para IAspúblicas, sua infraestrutura estaria em conformidade com a LGPD?

Essas perguntas não têm resposta simples, mas têm caminho.

Visibilidade, proteção e governança: umaabordagem em três etapas

O primeiro passo é mapear o consumo atual de IA na rede. Ferramentas comoo SailPoint Shadow AI Remediation identificam em tempo real quais soluções deIA generativa estão sendo acessadas, por quais departamentos e com qualfrequência, bloqueiam proativamente o upload de arquivos confidenciais edirecionam o usuário para alternativas homologadas pela empresa. Essemapeamento elimina o ponto cego da diretoria e substitui o bloqueio da inovaçãopor visibilidade e direcionamento.

O segundo passo é classificar e blindar os repositórios de dadosconfidenciais antes que qualquer ferramenta de IA, interna ou de terceiros,tenha acesso a eles. Soluções como o Varonis Atlas, categoria AI SecurityPosture Management, varrem servidores, nuvens e diretórios corporativos,identificam arquivos com dados sensíveis expostos a usuários comuns e aplicam oprincípio do menor privilégio. Essa etapa reduz o raio de exposição de dadosarmazenados e evita que agentes de IA corporativos exponham segredos comerciaisou informações salariais a colaboradores que não deveriam acessá-los.

O terceiro passo é estabelecer uma política corporativa de uso de IA,formalizada e auditável. Plataformas como a OneTrust AI Governance centralizama governança organizacional, permitem inventariar todos os modelos de IA emavaliação ou uso e rodar análises de impacto automatizadas, as DPIA, paragarantir conformidade com a LGPD. Esse processo transforma políticas abstratasem uma trilha de governança que comprova, diante da ANPD, que a organizaçãotrata dados pessoais com responsabilidade.

Tecnologia não resolve sozinha

Essas soluções servem como referências práticas para o mercado. Cadaempresa tem um cenário de dados, um orçamento e um nível de maturidadediferente, e a escolha das ferramentas certas depende de um diagnósticoespecífico, feito com base no cenário real de fornecedores, na estrutura dedados e nas exigências regulatórias do setor em que a empresa atua. Umdiagnóstico assim exige um parceiro especialista, com conhecimento técnico domercado de segurança e experiência prática na implantação dessas tecnologias.

A segurança efetiva em torno da IA corporativa depende da combinaçãoentre tecnologia, processos e pessoas: regras de acesso bem desenhadas, o RBAC,segregação de funções, o SoD, e sustentação contínua do ambiente. Esse tripéexige acompanhamento técnico permanente, desde a implantação das ferramentasaté o monitoramento e o suporte no dia a dia. É nessa frente que a Vitara atua,apoiando empresas de diferentes portes e setores na estruturação dessa jornada.

A resposta ao Shadow AI está em dar aos colaboradores caminhos segurospara usar essas ferramentas e à diretoria a visibilidade necessária paradecidir, de forma consciente, qual nível de risco a empresa está disposta aaceitar.

 

Ricardo Costa

Chief AI Security Officer, Vitara

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