Por Ricardo Costa, ChiefAI Security Officer da Vitara
Proibir o uso de inteligência artificial dentro de uma empresa significa abrir mão de desempenho e velocidade de entrega, e é por isso que a maioria das organizações já decidiu, na prática, adotar essas ferramentas no dia a dia. Essa adoção avança, na maior parte dos casos, sem um processo de segurança estruturado por trás, o que transforma o ganho de produtividade em uma exposição a riscos que a empresa não consegue medir nem controlar. O desafio real está em estruturar essa adoção com segurança, garantindo que produtividade e proteção de dados caminhem juntas desde o início.
Sem políticas de acesso, criptografia e monitoramento, dados sensíveispassam a circular por ferramentas externas sem qualquer camada de proteção. Oresultado aparece na forma de vazamentos, violações da LGPD e danos àreputação, muitas vezes identificados apenas depois que o problema jáaconteceu.
Grande parte do risco nasce de uma lacuna de governança: a ausência deuma política formal que defina quais ferramentas de IA podem ser usadas, porquem, com quais dados e sob qual nível de supervisão. Empresas com esse tipo delacuna operam no escuro, sem visibilidade sobre onde os dados corporativosestão sendo processados, mesmo quando já investem em ferramentas de proteção deperímetro.
O primeiro passo é o diagnóstico. Mapear as vulnerabilidades existentesna infraestrutura e entender quais dados são mais sensíveis e onde estãoarmazenados é o ponto de partida de qualquer política de uso de IA.
O segundo passo é definir políticas de acesso claras e segmentar a rede.Aplicar o princípio do menor privilégio, com regras específicas sobre quem podeacessar quais sistemas e dados, e reforçar as camadas de firewall reduz asuperfície de exposição e limita o alcance de um eventual incidente.
O terceiro passo é proteger os dados em trânsito e em repouso comcriptografia, garantindo que, mesmo em caso de acesso indevido, as informaçõespermaneçam ilegíveis para quem não possui autorização.
O quarto passo é manter a capacitação das equipes e o monitoramento doambiente de forma contínua, para que colaboradores reconheçam riscos, usemferramentas homologadas e a política evolua junto com novas tecnologias eameaças.
Antes de ampliar o uso de IA internamente, vale fazer essa checagemrápida para entender em que ponto a empresa está.
A empresa sabe hoje quais ferramentas de IA estão sendo usadas peloscolaboradores e com quais dados?
Existe uma política formal de acesso e uso de IA, ou as decisões sãotomadas caso a caso?
Se um incidente de segurança envolvendo IA acontecesse hoje, a empresateria como identificar a origem e conter o impacto rapidamente?
Estruturar essa arquitetura de segurança envolve etapas técnicas eorganizacionais que vão do diagnóstico inicial à sustentação contínua doambiente. Esse é o tipo de trabalho que a Vitara desenvolve com seus clientes,unindo consultoria, diagnóstico de vulnerabilidades, políticas de acesso ecamadas de proteção de dados para que a adoção de IA aconteça de formaestruturada.
A IA se torna uma alavanca de crescimento quando a empresa constrói,antes, a base de segurança e governança que sustenta esse crescimento.
Ricardo Costa
Chief AI Security Officer, Vitara
